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Treinamentos melhoram o desfecho das emergências

Postado em 24/02/2017 por Rodrigo Coelho de Almeida

Treinamentos e novas tecnologias educacionais melhoram o desfecho das emergências em saúde

Um dos maiores desafios no dia a dia de um hospital é lidar com as situações de emergência dentro dos padrões de agilidade e presteza necessários. Torna-se fundamental para as lideranças das instituições de saúde garantirem que todos os profissionais estão plenamente preparados para lidar com as situações nas quais o fator “tempo” torna-se variável chave. São nestas situações, em que não há tempo para pensar, refletir, discutir ou consultar, que as instituições e profissionais se destacam, considerando que os pacientes atendidos por equipes excepcionalmente preparadas e entrosadas apresentam desfechos clínicos muito mais favoráveis.

Podemos citar alguns exemplos, pois diversas são as emergências clínicas em que qualquer atraso na atuação da equipe resulta em consequências drásticas e significativas ao paciente.

Em uma PCR (parada cardio-respiratória) por exemplo, é sabido que:

  • a parada da circulação cerebral cessa o metabolismo aeróbico em 20 segundos, levando o indivíduo à perda da consciência;
  • em 5 minutos de completa anóxia cerebral reduz-se a oferta de oxigênio ao cérebro abaixo de níveis críticos, o que bloqueia a fosforilação oxidativa, diminuindo drasticamente os níveis celulares de ATP;
  • os níveis de glicose rapidamente são consumidos e alterações secundárias à isquemia começam a se desenvolver;
  • consequentemente a atividade neuronal cessa e, se a oferta de oxigênio não for rapidamente restaurada, a célula morre.

Ou seja, nestes casos o sucesso das ações é tempo dependente: para cada minuto perdido entre o colapso e a desfibrilação as chances de sobrevivência diminuem de 7% a 10% por minuto se a RCP não for efetivamente iniciada.

Quão relevante se torna, em uma situação quanto esta, se os profissionais que estão atendendo o paciente sabem exatamente o que fazer e como fazer? Quantos minutos (e com quais consequências) são perdidos quando os profissionais responsáveis por um atendimento como este não conhecem profundamente as rotinas, protocolos e estrutura dos hospitais em que estão atuando? Em uma PCR é admissível que a enfermagem, médicos, fisioterapeutas não tenham plena proficiência dos equipamentos (monitores, desfibriladores, respiradores, etc) disponíveis no hospital em que atuam? De quem é a responsabilidade de garantir que todos os profissionais de saúde da instituição estejam plenamente capacitados a atuar em uma situação crítica como esta, só do próprio profissional de saúde ou cabe também à instituição garantir esta capacitação?

Podemos citar outros exemplos de situações clínicas na qual a variável tempo torna-se primordial nos resultados institucionais:

  • no Infarto Agudo do Miocárdio qualquer atraso no diagnóstico e consequentemente nas necessárias intervenções imediatas de reperfusão que visam à restauração do fluxo sanguíneo coronário interferem sobremaneira no aumento da sobrevida dos pacientes;
  • no Acidente Vascular Encefálico quanto menor o intervalo de tempo entre o início dos sintomas e a infusão do trombolítico maior será a chance de um prognóstico favorável do paciente;
  • no Choque Séptico por exemplo, a sobrevida dos pacientes se reduz a cada hora em que se atrasa o início do antibiótico adequado e, dentro das primeiras 6 horas após início da hipotensão, cada hora de atraso em iniciar antibioticoterapia efetiva é associado a uma redução da sobrevida de 7,6%;

Podemos concluir que, nas diversas situações clínicas conhecidas como “tempo-dependentes”, a atuação de toda a equipe precisa estar totalmente harmônica e otimizada, para que tudo funcione de maneira rápida e perfeita. Tais medidas representam um desafio para os hospitais e demais instituições de saúde, pois torna-se imperativo que todos os colaboradores estejam plenamente treinados, atualizados e engajados com a cultura e protocolos institucionais. Portanto, cada vez mais estas organizações vêm investindo em novos conteúdos e tecnologias educacionais (plataformas online, conteúdo colaborativo, gamification, sistemas online de avaliação, ambientes de interação para educação do time, etc) com o objetivo de disponibilizar aos seus colaboradores, com o que há de mais moderno do ponto de vista educacional, todo o conhecimento necessário (técnico, emocional, comportamental e institucional).

 

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Referências:

  • Rev Bras Cir Cardiovasc 2012;27(3):411-8
  • http://oaji.net/articles/2014/672-1403898151.pdf
  • http://rbti.org.br/artigo/detalhes/0103507X-18-4-13
  • http://www.scielo.br/pdf/rbti/v23n2/a06v23n2.pdf

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Conheça o autor:

Médico (UFRJ) cardiologista (UERJ), MBA em Gestão de Negócios (Ibmec). Co-fundador do Medportal e ampla experiência em business e empreendedorismo.


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