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Colelitíase

Postado em 03/07/2012 por Equipe Medportal

Colelitíase, também denominada de colecistolitíase ou calculose biliar, pode ser definida como cálculos de colesterol e/ou pigmentares formados (em virtude de componentes anormais na bile) e retidos na vesícula biliar.

Em linhas gerais, a presença de cálculos no interior da vesícula provoca processo inflamatório crônico com fibrose da parede vesicular.

Epidemiologia:

 

Acomete frequente o sexo feminino (2:1) e após a 5ª década de vida. É importante ressaltar que a incidência aumenta com a idade.


Causas:

    • Produção da bile supersaturada com colesterol.
    • Diminuição do teor de fosfolipídios ou de ácidos biliares na bile.
    • Estase biliar. Infecção biliar (colangite)
    • Doença hemolítica

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Fatores de risco:

De acordo com a literatura médica, são considerados fatores de risco:

  • Predisposição genética. Multiparidade;
  • Obesidade;
  • Nutrição parenteral total por longo período;
  • Cirrose (para os cálculos pigmentares);
  • Distúrbios hemolíticos – Esferocitose hereditária, anemia falciforme.
  • Parasitoses biliares;
  • Rápida perda ponderal;
  • Neoplasias malignas na infância;
  • Doenças do íleo terminal (tuberculose, doença intestinal inflamatória, síndrome do intestino curto).

 

Fisiopatologia

A presença de cálculos de colesterol e/ou pigmentares formados e retidos no interior da vesícula biliar provoca processo inflamatório crônico, com consequente fibrose da parede vesicular. O cálculo mais comum é o composto por colesterol (aproximadamente 80% do total), formado pela secreção biliar aumentada de colesterol; assim, a dieta com alto teor calórico e rica em colesterol pode predispor à colelitíase. Já os cálculos pigmentares (como o próprio nome sugere, composto por pigmentos) engloba os 20% restantes.

Deve-se ressaltar que os pequenos cálculos são mais perigosos que os grandes pela facilidade com que podem deslocar para os ductos biliares.

Manifestações Clínicas

Cerca de 80% dos pacientes são assintomáticos ou oligossintomáticos. A cólica biliar corresponde ao sintoma mais característico, geralmente, descrita como dor em cólica localizada no hipocôndrio direito ou no epigástrio, de gradual aumento na intensidade, que pode irradiar-se para a região interescapular ou ombro direito, acompanhada de náuseas e vômitos. O quadro álgico decorre da inflamação, espasmo ou distensão da vesícula biliar ou do esfíncter de Oddi, ou mesmo pela impactação de cálculo biliar no infundíbulo da vesícula durante a sua contração. Além disso, a dor associa-se à alimentação, principalmente, com elevado teor lipídico (intolerância a alimentos gordurosos) que, em conjunto com a obstrução temporária ao fluxo biliar, causa aumento da pressão intraluminal na vesícula. Isso promove a posterior contração mantida com espasmo, durante um período de tempo variável, para a liberação da bile. A cessação da dor ocorre quando a vesícula retorna ao relaxamento ou após liberação do fluxo por expulsão ou liberação do cálculo. A síndrome dispéptica pode também estar associada.

Diagnóstico Diferencial:

Dentre os diagnósticos diferenciais, podem ser citados: colecistite calculosa aguda; colecistite calculosa crônica; coledocolitíase; neoplasia da vesícula biliar; úlcera péptica; pancreatite; refluxo gastroesofágico, apendicite e hepatite.


Exames complementares:

  • A ultrassonografia (US) abdominal é o melhor método para evidenciar cálculos biliares.
  • A tomografia computadorizada (TC) da vesícula biliar não apresenta vantagem em relação à US.
  • Referente aos exames laboratoriais, na investigação diagnóstica, solicita-se: dosagem das aminotransferases séricas, bilirrubina total e frações, fosfatase alcalina e GAMA-GT, se estiverem dentro dos valores de referência, descartam doença hepática; o hemograma completo se leucocitose afasta colecistite calculosa aguda; enzima amilase normal ou pouco aumentada afasta a probabilidade de pancreatite, pois um dos critérios diagnósticos dessa patologia é a amilase superior ou igual a três vezes o limite superior de normalidade.
  • Pode-se solicitar endoscopia digestiva alta (EDA) para descartar úlcera péptica.
  • O exame de pHmetria pode ser realizado com o objetivo de afastar a hipótese de refluxo gastroesofágico.

 

Tratamento:

A terapêutica indicada para colelitíase sintomática é a cirurgia (colecistectomia), que pode ser por via laparoscópica ou pelo método tradicional. A primeira apresenta vantagens em relação à segunda, tais como: menor resposta metabólica / orgânica ao trauma, recuperação mais rápida, redução do tempo de internação hospitalar, com consequente diminuição dos custos. Sendo assim, a colecistectomia videolaparoscópica é o método de escolha no tratamento da colecistite aguda ou crônica. Contudo, cerca de 10% a 50% dos pacientes persistem ou desenvolvem novos sintomas após o procedimento. Felizmente, estes sintomas pós-colecistectomia são geralmente leves e inespecíficos, consistindo em náusea transitória, eructação, flatulência e indigestão.

A taxa de mortalidade na colecistectomia é de, aproximadamente, 0,5% quando eletiva e 3,5% quando de emergência.

Deve-se ressaltar que não há consenso sobre a colecistectomia em pacientes assintomáticos.

Além disso, é necessário o alívio da dor nos episódios de cólica biliar e orienta-se a alimentação com baixo teor de gordura nos pacientes com síndrome dispéptica. Podem ser administrados medicamentos para a dissolução oral dos cálculos: Ácido ursodesoxicólico, durante longo período (até 2 anos); ou ácido quenodesoxicólico; a seguir, aumentar gradativamente a dose, até surgir intolerância. (Eficácia não comprovada nos cálculos radiopacos. Pode ser eficaz nos cálculos radiotransparentes de colesterol).


Complicações:

A causa mais comum de síndrome pós-colecistectomia são desordens extrabiliares, tais como pancreatite crônica, doença ulcerosa péptica, doença do refluxo gastroesofagiano e síndrome do intestino irritável. Apenas em uma minoria dos casos os sintomas se devem a patologia do trato biliar. As principais causas da síndrome pós-colecistectomia de origem biliar são: 1) estenose biliar, 2) cálculo de via biliar principal, 3) síndrome do coto do ducto cístico, 4) estenose ou discinesia do esfíncter de Oddi. A remoção parcial da vesícula biliar (vesícula residual ou vesícula remanescente) é uma causa rara desta síndrome. Dentre outras possíveis complicações pós-operatórias, pode-se citar: hemorragia, formação de abscesso, infecção (colangite), fístula enterobiliar, extravazamento de bile e quadro álgico pós-colecistectomia. 

Evolução e Prognóstico

Sabe-se que menos da metade dos pacientes com cálculos biliares tornam-se sintomáticos. Além disso, de 10 a 15% dos pacientes apresentam coledocolitíase e a maioria desenvolve colecistite crônica.  Após a colecistostomia, pode ocorrer recidiva dos cálculos nos ductos biliares. 

Bibliografia

  • Harrison´s Principles of Internacional Medicine. Kasper ET AL. 17ª ed. McGraw- Hill 2008.
  • PORTO, Celmo Celeno. Vademecum de Clínica Médica, 2 ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
  • COELHO, Júlio C. U.; NASSIF, Aissar E.; CAMPOS, Antonio Carlos L.. Vesícula residual. Rev. Col. Bras. Cir.,  Rio de Janeiro,  v. 29,  n. 6, Dec.  2002 .   Acessado em 01/04/2012.
Artigo elaborado para o Medportal  por Angélica Guimarães Andrade.

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Médica especialista em Clínica Médica | Medicina do Exercício e do Esporte | Mestre em Cardiologia | Doutora em Fisiopatologia Clínica e Experimental. Formada em medicina pela Universidade Federal Fluminense, especialista em clínica médica (residência pelo Ministério da Saúde) e medicina do exercício (Associação Médica Brasileira/ Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte). Mestre em cardiologia pela Universidade Federal Fluminense e Doutora (PhD) em fisiopatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Fellow do American College of Physicians (Colégio Americano de Medicina), filiada à Association of Ringside Physicians (Associação Americana de Médicos de Ringue).


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