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Causas Não Isquêmicas de Elevação do Segmento ST

Postado em 25/04/2015 por Eduardo Botner

1. Introdução
A elevação do segmento ST no eletrocardiograma é sabidamente um grande marcador de isquemia miocárdica e um divisor de águas perante esse diagnóstico. No entanto outras patologias podem levar a uma alteração nesse segmento sem representar isquemia e merecem destaque.

2. Pericardite Aguda
É a patologia mais comum que envolve o pericárdio podendo ser classificada de acordo com a sua clínica e tempo de evolução. Inúmeras são as causas que variam desde uma infecção viral até causas mais graves como neoplásicas. Nesse cenário a diferenciação do quadro agudo de dor pericárdica com alterações positivas do segmento ST torna-se um grande diferencial do infarto agudo do miocárdico.
As alterações eletrocardiográficas encontradas são reflexas do comprometimento inflamatório da região miocárdica adjacente. Normalmente a pericardite aguda mostra um padrão eletrocardiográfico característico divido em quatro fases:

• Primeiramente encontramos um segmento ST inalterado e achatamento da onda T
• A segunda fase consiste em uma inversão da onda T
• Em seguida ocorre um supradesnível de ST de maneira difusa por duas semanas
• E por fim o eletrocardiograma volta ao padrão original sem deixar sequelas

O supradesnível da pericardite se diferencia do supradesnível do infarto por algumas características, dentre as quais estão: concavidade da onda e alteração difusa do eletrocardiograma sem relação com o segmento acometido. Além disso, na pericardite sinais de necrose como amputação da onda R e a presença de uma onda Q patológica estão ausentes, uma vez que não há lesão tecidual permanente.
Outros achados podem ser vistos e incluem uma repolarização precoce podendo estar associada a elevação generalizada do segmento ST, principalmente nas derivações esquerdas, porém nesses casos as ondas T são elevadas e a relação ST/T é menor do que 0,25. De maneira bem característica, porém de mais rara frequência temos um infradesnivelamento do segmento PR que indica aqui o comprometimento atrial


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3. Alterações Hidroeletrolíticas
Dentre as alterações hidroeletrolíticas que causam supra de ST estão principalmente a hipercalemia e a hipercalcemia.

3.1. Hipercalemia
Essa desordem afeta a permeabilidade da membrana ao íon interferindo no potencial de ação aumentando a velocidade de repolarização ao tornar a fase 3 mais rápida e portanto encurtando o seu tempo de duração.
É possível nessa desordem observar um supradesnível nas derivações V1 e V2 em casos bem graves, entretanto, o que normalmente se tem como parâmetro é o alargamento do QRS com uma onda T apiculada, às vezes maior do que o próprio complexo QRS, um alargamento do intervalo PR e uma diminuição da amplitude da onda p. Com essas alterações existe um grande risco esta no aparecimento de arritmias severas.

3.2. Hipercalcemia
Nessa alteração o que acontece é uma redução da duração e um aumento da amplitude do platô do potencial de ação interferindo na repolarização ventricular. Aqui além do supradesnível de ST observados em V1 e V2 em casos graves o que se observa é um encurtamento do segmento ST e diminuição do intervalo QT.

4. Cardiomiopatia de Takotsubo
Essa patologia tem caráter idiopático e muitas vezes tem relação familiar, é mais comum em mulheres idosas e muita das vezes está associada a um distúrbio emocional sem correlação com qualquer patologia de base, mesmo que em certos casos, doenças de grau terminal possam vir a gerar quadro semelhante.
A cardiomiopatia de Takotsubo se apresenta como um infarto agudo, com clínica, enzimas e achados eletrocardiográficos sugestivos, porém em pacientes sem DAC. O que se observa nesses pacientes é a rápida mudança do padrão eletrocardiográfico (geralmente em menos de 24 horas o eletro passa a ser normal). Como consequência alterações de onda q e onda R, marcadores de sequela miocárdica, estarão ausentes.

5. Síndrome de Brugada
Acomete principalmente adultos jovens, essa síndrome não apresenta quaisquer evidências clínicas ou de doença estrutural pré-estabelecida. Tem forte herança genética e está ligada a episódios de morte súbita. O que se encontra é um padrão eletrocardiográfico peculiar de BRD com elevação do segmento ST em regiões precordiais direitas, V1, V2, V3. Possui alto potencial arritmogênico.

6. Referências Bibliografia

  • Harrison´s Principles of Internacional Medicine. Kasper ET AL. 17ª ed. McGraw- Hill 2008
  • Goldwasser, Gerson Paulo. Eletrocardiograma orientado para o clínico. 3. Ed. – Rio de Janeiro: Editora Rubio, 2009.

 

Artigo elaborado para o Medportal por Eduardo Botner


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Atualmente o eletrocardiograma continua sendo imprescindível no diagnóstico precoce do infarto agudo do miocárdio (IAM), sendo importante na indicação de agentes trombolíticos ou angioplastia coronária primária nessa fase do IAM. As arritmias cardíacas continuam tendo no eletrocardiograma o seu principal instrumento diagnóstico.


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